Título: O Apanhador no Campo de Centeio

Autor: J.D. Salinger

Páginas: 208

Editora: Editora do Autor

Assunto: Literatura, clássico

Holden é um adolescente como outro qualquer, descontente com a realidade a sua volta, cheio de convicções e certezas absolutas. Logo no início da história, devido a um péssimo desempenho escolar, ele é mais uma vez expulso do colégio interno onde estudava. Sabendo que seus pais não receberiam a notícia nada bem, ele resolve deixar mais cedo o dormitório e vagar por Nova Iorque com o dinheiro que tem no bolso antes de confrontar seus pais.

É durante este período que Holden pensa e repensa sobre sua vida, seus objetivos; reencontra pessoas para quem tenta explicar a confusão em que se encontra sua cabeça e traçar rumos para sua vida.

Acredito que muitos, como eu, só conheciam o livro de nome. Antes de ganhar o livro de presente eu nem ao menos havia pensado em lê-lo e nem sabia sobre o que se tratava, mas eu nunca imaginaria o cenário já apresentado no primeiro capítulo, sempre imaginei um romance com um toque rural ou algo do gênero, nunca um adolescente rebelde de classe média alta em Nova Iorque. Mas há uma explicação para o título e não serei eu quem vai tirar o prazer dos interessados em ler o livro de descobrir o que é.

O melhor da história é que ela foi primeiramente publicada na década de 1950, mas não sendo por uns pequenos detalhes – como não haver telefones celulares, os cinemas serem das indústrias de cinema e de Holden achar oito dólares uma fortuna -, tudo poderia estar acontecendo hoje. A linguagem é fantástica e Holden é um protagonista irritantemente delicioso de se acompanhar, ele se incomoda com praticamente tudo e nem sempre podemos tirar a razão dele, mas nem por isso ele deixa de ser amável em muitas situações.

Agora, não posso deixar de avisar aos possíveis futuros leitores que, de acordo com o que me falaram quando já estava na metade do livro, há a lenda de que o livro transmita mensagens subliminares que transformam leitores em assassinos… Isso porque os assassinos de John Lennon e do presidente americano Ronald Reagan teriam tirado a inspiração para os assassinatos do livro. Sinceramente, não me sinto nem um pouco mais propensa ao homicídio, mas caso aconteça, já tenho no que por a culpa… Hehehehe!

FRASES

“Comecei novamente a dar em cima das três bruxas da mesa ao lado. Quer dizer, da loura. As outras duas só numa ilha deserta.” (página 73)

“Ela começou a dançar um puladinho comigo – mas bem de mansinho, sem palhaçada nenhuma. Ela era boa de verdade. Bastava tocar nela. E, quando ela rodava, rebolava a bundinha de um jeito que dava gosto olhar. Ela me deixou doido. Palavra. Quando nos sentamos eu já estava meio apaixonado. Aí é que está o problema com as garotas. Toda vez que elas fazem um troço bonito, mesmo que não sejam lá nenhum tipo de beleza ou mesmo que sejam meio burras, a gente fica apaixonado por elas, e aí não sabe mais a quantas anda.” (página 75)

“O caso é o seguinte: na maioria das vezes que a gente está quase fazendo o negócio com uma garota – uma garota que não seja uma prostituta nem nada, evidentemente – ela fica dizendo para a gente parar. Meu problema é que eu paro. A maioria dos sujeitos não pára, mas eu não consigo ser assim. A gente nunca sabe se elas realmente querem que a gente pare, ou se estão apenas com um medo danado, ou se estão pedindo que a gente pare para que, se a gente continuar mesmo, a culpa seja só nossa, e não delas.” (página 94)

“Antigamente eu achava a Sally muito inteligente, mas só de burro que eu sou. Só porque ela entendia de teatro, e peças, e literatura e todo esse negócio. Quando as pessoas sabem um bocado sobre essas coisas, a gente leva um tempão para descobrir se são burras ou não. No caso da Sally eu levei anos. Com certeza teria descoberto muito antes, se nós não tivéssemos namorado tanto.” (página 106)

“Por isso tenho minhas dúvidas quanto aos chatos. Talvez a gente não deva sentir tanta pena de ver uma garota legal se casar com um deles. A maioria não faz mal a ninguém e talvez, sem que a gente saiba, sejam todos uns assoviadores fabulosos ou coisa parecida. Nunca se sabe…” (página 123)

“Esse é que é o problema todo. Não se pode achar nunca um lugar quieto e gostoso, porque não existe nenhum. A gente pode pensar que existe, mas, quando se chega lá e está completamente distraído, alguém entra escondido e escreve ‘Foda-se’ bem na cara da gente.” (página 197)