Título: Diário da Sibila Rubra – O retorno das bruxas

Autor: Kizzy Ysatis

Páginas: 261

Editora: Novo Século

Assunto: Literatura, bruxas

Exceto por dois ou três capítulos, o livro é o diário de Elaine, uma jovem bruxa sob os cuidados da matriarca das Sibilas Rubras – bruxas de grande poder que, como ocorre desde a Sibila de Delfos, tem o dom premonitório. Nele ela expõe suas dúvidas, seu amor por seu meio-irmão, sua inveja do poder de Dinah, sua admiração pela matriarca, sua visão diante das atitudes dos moradores da ilha que tanto temiam as  bruxas, os lobisomens e os vampiros.

Ela mostra em suas memórias as escolhas que teve a sua frente e as consequências do caminho que tomou. A escrita é quase poética, é sonora, musical. E com um final incrivelmente surpreendente. Confesso que nunca imaginei que pudesse terminar como de fato terminou. Apresenta a ilha numa linguagem que, em certas partes, lembra muito o jeito de escrever de Franklin Cascaes, maior folclorista da cultura aqui de Florianópolis. Adorei a forma como ele pegou personagens verídicos, o poeta Álvares de Azevedo por exemplo, e os usou como personagens numa visão, pelo menos, não oficial.

Ao começar a ler o livro, descobri que seria uma história paralela a um livro já publicado por Ysatis – “Clube dos Imortais” – e tive receio que seria necessário ler este pra entender o “Diário da Sibila Rubra”, mas posso dizer que não só não me prejudicou a leitura, como ainda me deixou instigada para ler o “Clube”. E espero ler ainda mais livros dele.

“As palavras: fantasia, fantástico, imaginário, folclore, não eram adotadas pelo povo ilhéu. Sabiam que o além estava presente. Era real. As bruxas existiam e faziam estripulias.” (página 29)

“Contudo, tenho mais orgulho de dizer que morava na ilha dos banidos do que na ilha do déspota, porque a ilha pertencia a nós degredados e não aquele que lavou nossa terra de sangue.” (página 41)

“Palavra é poder. Proferida, ganha força. Escrita, torna-se verdade.” (página 54)

“- Fascina-me. E eu que amo tanto as mitologias, não me recordo dessa história. Curioso, não é?
- O compadre pode durar quão dura uma estrela, mas não é uma enciclopédia.” (página 97)