Título: A Joia de Medina

Autor: Sherry Jones

Páginas: 428

Editora: Record

Assunto: Literatura, Islã, romance

A’isha tinha apenas seis anos quando entrou em purdah (isolamento da noiva para que não fique impura até o casamento); com nove anos se casou, mas apenas com doze foi morar com seu marido: o profeta Maomé.

Este livro nos leva a acompanhar a esposa-menina do profeta, a mais jovem de seu harém, mas não a menos importante. Vemos ela crescer, física, espiritual e moralmente. Vemos ela aprender a amar seu marido e seu marido aprender a amá-la como sua esposa e não como uma filha.

Ao contrário do que muitos pensam do tratamento das mulheres no Islã, o livro mostra como Maomé buscava acabar com a submissão feminina e como A’isha ganhou seu coração por ser uma mulher destemida e com fortes opiniões. Isso, claro, quando não prejudicava alguém por causa de seus ciúmes (não que a culpe, ela dividia a casa e o marido com mais nove mulheres).

Eu que não conheço a religião islâmica além do que se pode considerar conhecimento geral, esperava aprender um pouco mais com o livro, mas a autora não focou nestes aspectos, o que não quer dizer que tenha sido decepcionante o livro. Ela nos apresenta pessoas com as quais podemos nos identificar, situações com as quais nos relacionamos independente da religião. A propósito, uma anotação para a “caderneta de cultura inútil” de vocês: a publicação deste livro foi impedida durante um bom tempo nos Estados Unidos sob alegações de que poderia incitar uma revolta da população muçulmana.

“Na verdade, nossos destinos estavam definidos desde o berço. Podíamos moldar o futuro, mas não escapar dele, por mais que penetrássemos o deserto.” (página 267)

“E agora ele tinha me dado a liberdade e o poder de escolher o meu próprio destino, a maior dádiva que alguém já tinha me oferecido. Ao fazer isso, ele tinha me tornado completa e definitivamente sua.” (página 377)