[resenha] “Dragões de Éter – Corações de Neve” de Raphael Dracoon
18 de junho de 2010
Título: Dragões de Éter – Corações de Neve
Autor: Raphael Dracoon
Páginas: 494
Editora: Leya
Assunto: Literatura nacional, fantasia, aventura
Este é o segundo livro da série “Dragões de Éter”. O reino de Arzallum tem um novo rei e precisa reafirmar as antigas alianças. Ao mesmo tempo ocorre o Punho de Ferro, grande competição de pugilismo que, este ano, tem mais conotações políticas do que desportivas.
Para agitar ainda mais essa situação, mensageiros do reino oriental vem para participar da competição, trazendo consigo tecnologia e filosofia desconhecidas naquela terra. Paralelamente outros personagens passam pela descoberta da magia branca e da magia negra, pela busca da liberdade de um povo e de uma terra. E todos descobrem fatos que mudam tudo o que consideravam verdade.
Se pelo post anterior não deu de perceber, eu adorei “Caçadores de Bruxas”, mas ele nem se compara a “Corações de Neve”. CdB é uma delícia, nos apresenta Arzallum, sua história, seu povo, seus governantes, seus problemas, suas feridas. É uma ótima forma de nos deixar no clima para ler CdN. Neste segundo livro as intrigas são mais complexas, as tramas mais profundas e interligadas; aqui um bater de asas de uma borboleta faz um furacão do outro lado do mundo. Claro que ele nos apresenta novos fatos, partes da história que ainda não havíamos ouvido falar, personagens novos e tudo mais, mas o crescimento e a batalha particular de cada um dos personagens em torno da trama principal é algo de tirar o fôlego. Quando o foco muda de um personagem para o outro, o leitor não sabe se reclama por não continuar a história do anterior ou se comemora por finalmente voltar a história do próximo.
Como bom membro do sexo feminino, devo confessar que fiquei na ponta da cadeira a cada novo fato do romance entre Axel e Maria, que suspirei a cada cena entre Anísio e Branca, que queria apertar as bochechas de Ariane e João; mas para mim a parte mais tocante do livro foram os desenlaces da trama envolvendo Liriel e Snail. Minha opinião, claro. Leia o livro e me diga depois se concordas.
“- Se, da onde eu estou, eu apontar para aquela flor, e da onde você está, você apontar para a mesma flor, quem observar para onde apontarmos não verá a mesma flor? – Com certeza. – Então qual a diferença do dedo que aponta?” (página 179)
“- É tão importante assim? – O quê? – A missão em que você se colocou. E nos colocou. – Você diz comparado a quê? – A ponto de você evitar a única amizade que tem em prol dela…” (página 186)
“- Se eu mesma me conformei com meu destino, por que você não pode? – Porque nenhum homem pode admitir a vida sem liberdade. – E por que tem de ser você? – Porque tem de ser alguém.” (página 189)
“- Não, eles são órfãos. Você sabe o que isso significa? [...] Eles nunca foram crianças. Eles já nasceram no mundo adulto. E mais; eles sobreviveram a ele até hoje! E agora, pela primeira vez, estão ganhando um sentido de unidade. Um sentido que torturador algum conseguirá tirar deles.” (páginas 282-283)







[...] [...]