Título: O Amor nos Tempos do Cólera

Autor: Gabriel García Márquez

Páginas: 429

Editora: Record

Assunto: Literatura, romance

Ah, o amor! Dizem que é a base de tudo e provavelmente García Márquez pensava nisso ao escrever este livro. Nele se conta a história de diversos amores através dos personagens principais: Fermina Daza e Florentino Ariza. Logo no início se descobre que Fermina é casada com Juvenal Urbino e logo depois que ela e Florentino já foram enamorados. Então como foi que acabaram separados por cinqüenta e um anos, nove meses e quatro dias sem trocar uma única palavra entre si?

E é sobre os percalços do caminho, desde a juventude até a velhice, que o livro discorre. O primeiro encontro, as primeiras cartas, o segredo, a distância, o casamento, os amores, os dissabores, tudo que é preciso para rechear uma boa história de amor. E tudo ocorrendo na virada do século, quando o surto de cólera dizimava parte da população e a guerra civil uma outra parte.

Terminei de ler a pouco e estou sem palavras. Realmente este livro é um tratado sobre o amor, uma história que além de bonita é surpreendente. Os personagens cativam, e não só os principais, mas todos que conhecemos narrativa a dentro.

A narrativa de García Márquez por si só já é outro atrativo do livro. Ele muda o foco da cena de um parágrafo para outro de uma forma que o leitor não sente, mas que em um momento está acompanhando um personagem em seu quarto e no seguinte este mesmo personagem está a quilômetros de distância, apenas para, páginas a frente, voltar para o ponto de início. E acredite, apesar disso não tem como se perder na narrativa. Se há um único pecado no livro é ter capítulos longos o que, pelo menos para mim, diminui o ritmo de leitura. Mas só posso dizer que García Márquez foi uma leitura surpreendente e passou a constar no rol dos meus autores preferidos.

“Coisa bem diferente teria sido a vida para ambos se tivessem sabido a tempo que era mais fácil contornar as grandes catástrofes matrimoniais do que as misérias minúsculas de cada dia. Mas se alguma coisa haviam aprendido juntos era que a sabedoria nos chega quando já não serve para nada.” (página 39)

“Então foi Florentino Ariza quem viu a cara da morte, nessa mesma tarde, quando recebeu um envelope com uma tira de papel arrancada da margem de um caderno de escola, com uma resposta escrita a lápis numa linha só: Está bem, me caso com o senhor se me promete que não me fará comer berinjela.” (página 94)

“A partir dessa noite, qualquer sombra que pudesse haver entre eles se dissipou sem ressentimento, e Florentino Arisa compreendeu por fim que se pode ser amigo de uma mulher sem ir para a cama com ela.” (página 233)

“Para as mulheres só havia duas idades: a idade de casar, que não ia além dos vinte e dois anos, e a idade de ser solteiras eternas: as esquecidas. As outras, as casadas, as mães, as viúvas, as avós, eram uma espécie diferente que não contava a idade em relação aos anos vividos, e sim em relação ao tempo que ainda faltava para morrerem.” (página 321)